Domingo, 4 de Outubro de 2009

A Nossa História

 

História da criação da Associação dos Antigos Alunos do Ensino Secundário de Cabo Verde

 

Vou tentar resumir o que as memórias dos sócios fundadores João de Meneses Marques, Gumercindo Chantre, José Alves Brito e Osvaldo Soares, à distância de mais de 20 anos, nos fizeram recordar como brotou a AAAESCV.

João Marques, considerado por todos o “pai” da Associação, rememora que desde muito jovem, teria seis ou sete anos, já mostrava as suas inclinações associativistas, fazendo parte do famoso “Beirense”, uma espécie de Associação liderada pelo Tomás de Nhô d’Sonte, catraieiro famoso da baía do Porto Grande, que a garotada e a população em geral, muito respeitavam. Conta João Marques que a massa associativa do “Beirense” integrava sobretudo a miudagem da Rotcha, onde também vivia o Tomás. Os objectivos seriam uma convivência mais assídua organizada por eles próprios e frequentes joguinhos de futebol como actividade principal.

Muitos anos decorridos - por altura de 1973 – tentou dinamizar uma associação de cabo-verdianos em Luanda, projecto que foi abandonado por problemas vários. A Revolução de Abril de 1974 veio a dar-lhe, a ele e ao grupo dos amigos que sempre o apoiaram, um novo alento para o retorno ao projecto da criação de uma Associação e surgiu a célebre “Casa Amílcar Cabral”, diz ele, de alegre e triste memória. Tratava-se de uma Associação maioritariamente cabo-verdiana mas aberta a qualquer pessoa, independentemente da sua origem, nacionalidade, filiação política, etc. ... que veio a ter um desagradável fim, na sequência de uma guerra partidária, sem justificação.

Regressado a Portugal, em 1983, João Marques continua com o “bichinho” pelo associativismo. Ele e outros amigos que ia encontrando diariamente no Rossio passaram a reunir-se com frequência e a ideia de fundar uma associação que congregasse antigos colegas do ensino secundário de Cabo Verde foi amadurecendo no seu espírito. Começou por registar adesões ao projecto entre os amigos dos encontros no Rossio acrescentando outros nomes de antigos colegas que lhe pareceram válidos para a criação da associação entre os quais João Barbosa que, bem conhecido pelas suas tendências associativas, foi convidado para o grupo dinamizador da Associação, apesar de não pertencer ao núcleo do Rossio. Ele próprio levou outros elementos que foram enriquecer o grupo já bastante numeroso e com bastantes iniciativas. Promoveram na Casa do Alentejo um almoço de confraternização de antigos colegas do ensino secundário de Cabo Verde com o objectivo de oficializar a criação da Associação dos Antigos Alunos do Ensino Secundário de Cabo Verde. Houve uma grande adesão e ficaram como sócios fundadores os presentes que assinaram a acta elaborada nessa reunião.

Começou-se a trabalhar na elaboração dos Estatutos, sua publicação e na procura de local para Sede da Associação. A Câmara Municipal de Lisboa, na pessoa do seu vice-presidente, Dr.Lívio dos Reis Borges, nosso conterrâneo que desde a primeira hora deu grande apoio à Associação, apresentou várias hipóteses para escolha que recaiu sobre uma casa bastante degradada, hoje actual sede. Foi fixada pela Câmara a simbólica renda de seis mil escudos. A sua restauração foi feita à custa do núcleo de sócios iniciais que promoveu festas de angariação de fundos e deitou mãos à obra. 

As obras foram dirigidas pelo Eng.º Claro da Fonseca, autor da planta do interior da casa , e pelo João Barbosa que passava o dia inteiro na sede. Com os magríssimos fundos que conseguiram angariar arranjaram pedreiros e outros técnicos de construção civil.

O Alcides Miranda foi o carpinteiro improvisado da obra. Todos trabalharam quando foi a altura das pinturas. No intervalo dos trabalhos improvisavam mesas e comiam o que a  Milú Marques, a Fernanda Barros, a Ziza Miranda  levavam. Os mosaicos para revestimento do chão, os azulejos da cozinha e toda a loiça sanitária foram oferecidos pela Fábrica de Sacavém por mediação do associado Alexandre Benrós que era gerente do Banco em Sacavém. A aparelhagem sonora foi oferecida pelo Dr. Marcel de Almeida.

O mobiliário foi comprado nas casas que vendem ao desbarato e muita coisa foi oferecida pelos sócios fundadores. Cada um levava uma bebida para fornecer o bar, sempre na melhor harmonia e entusiasmo.

João Marques realça que é facto que o pai da criança foi ele, como gostava de dizer  Homero Bettencourt, saudoso companheiro de todos, desde a primeira hora. Todavia acrescenta que será bom não esquecer os outros parentes mais chegados da criança que, com a maior dedicação, entusiasmo e espírito de sacrifício, ajudaram-na a nascer e a crescer. Diz ele que talvez o seu grande mérito, ou a sorte, foi ter escolhido colegas que sempre deram o máximo de seu esforço a fim de conseguirem tirar o barco do plano para o porem a navegar na longa travessia de 22 anos. 

Destaca nomes como Albertino Sousa, Anselmo Mariano, Arminda Benrós,  Arnaldo Mariano, Augusto Serradas,  Bibina, Carlos Reis , o então Embaixador de Cabo Verde, Cesário Ramos, Daniel Pereira, Eduardo Ribeiro, Fátima Chantre, Germana Tavares, Gumercindo Chantre, Rocky, Hugo Silva, José Brito, José Júlio Almeida, José Vieira, Osvaldo Soares, Sidónio Ramos, Silvestre Benrós.

João Marques adverte-nos que tecer considerações laudatórias é sempre uma tarefa ingrata pelas omissões que involuntariamente sempre acontecem mas que lhe parece ser da mais elementar justiça destacar o nome de João Barbosa que, sem qualquer desprimor para os outros companheiros, terá sido a maior vítima dos trabalhos e canseiras para a bom porto levarem o projecto “Associação dos Antigos Alunos do Ensino Secundário de Cabo Verde”. Desde a primeira hora e durante os longos 10 anos como Presidente da Direcção, foi João Barbosa quem mais segurou a batata quente.

Os nossos Estatutos elaborados pelos associados já falecidos, Hugo do Rosário Silva, Manuel Serradas e Anselmo Lopes Mariano, foram publicados no D.R. 3ª Série nº 162 de 17 de Julho de 1987.

Hoje a Sede pertence à Associação. Durante a Direcção do Dr. Marcelo Évora e da Dr.ª Nominanda Fonseca, sócios e entidades constantes num painel afixado na Sede, bem como outros beneméritos de que é justo destacar o Presidente da Câmara de Oeiras, Dr. Isaltino Morais, contribuíram com as suas doações para a sua aquisição definitiva no ano de 2005.

O emblema oficial da Associação é da autoria de Anselmo Lopes Mariano. É constituído por um espaço circular contendo, na parte central, a reprodução da cúpula do edifício onde funcionou o primeiro liceu de Cabo Verde na cidade do Mindelo, em S.Vicente, inicialmente, chamado Liceu Infante D. Henrique e, posteriormente, de Liceu Gil Eanes. A cúpula é encimada pelos dizeres em arco, ASSOCIAÇÃO DOS ANTIGOS ALUNOS DO ENSINO SECUNDÁRIO, que se completam com a expressão DE CABO VERDE, inscrita numa faixa ondulada, que se encontra inserida na parte inferior do círculo que limita o emblema, faixa que por sua vez, é encimada pela imagem de um livro aberto, tendo, sobre as páginas, uma candeia acesa, simbolizando o ESTUDO e a MEDITAÇÂO. O conjunto “livro aberto e candeia acesa” está delimitado por um outro círculo. As reproduções do emblema são sempre a preto e branco.

O emblema ampliado que se encontra na parede da sede e na bandeira da Associação foi desenhado pelo sócio José Alves de Brito. A bandeira da Associação é da autoria do Comandante Paulo de Sousa Machado que exerceu o cargo de Capitão dos Portos de Cabo Verde. 

João Marques recorda João Barbosa e Homero Bettencourt, respectivamente, primeiro Presidente e Vice-Presidente da AAAESCV, com muita saudade, bem como muitos outros que funcionaram como o melhor chão onde a semente foi germinando, crescendo e dando os frutos que todos esperávamos. O projecto não podia ter ficado em melhores mãos!

Bem hajam todos os associados e os membros dos Corpos Sociais que têm assegurado a existência da nossa AAAESCV ao longo destes 22 anos.

 

                     Carlota de Barros Fermino Areal Alves

                       Vice-Presidente da Direcção

 

publicado por Beija-Flor às 17:15
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